Segue
abaixo a homilia:
"Esse diálogo, que nós
acaba-mos de ouvir, aconteceu há dois milênios.
E exatamente nós estamos ouvindo a mesmo diálogo,
da mesma forma e com a mesma intensidade, como se nós
pudéssemos presenciar o próprio mistério
da ressurreição, na vida de Nossa Senhora. Este
mistério que Ela cantou com seu Magnificat e que Isabel
contemplou no momento daquela visitação. De
fato, Nossa Senhora sabia, não por ter visto, mas sabia
pelos acontecimentos que foram transcorrendo, que seu Filho
seria um dia ressuscitado. Quando Ela o viu ressuscitado,
teve a experiência do que seria a ressurreição
dEle, na carne dela, o que seria a ressirreição
dEle, no corpo dela, o que seria ter uma vida continuada,
sob nova forma. O que seria um corpo imponderável sob
as leis do espírito.
Nossa Senhora ao cantar, ao cantar,
ao dizer, ao rezar o Magnificat, teve a experiência
antecipara da sua alegria da maternidade e, ao mesmo tempo,
a alegria antecipada da sua própria ressurreição.
Nós entedemos por ressurreição
voltar da morte. Mas não é apenas isto. Nossa
Senhora não morreu. Ela passou de uma vida temporal
para a vida eterna. E este momento de transição
foi, na vida dela, o momento da sua
|
|
ressurreição.
Ela não experi-mentou a morte para passar ao pós
vida tempora. Ela não teve a experiência da agonia
mortal. Ela não teve a experiência do medo, diante
do abismo do desaparecimento da vida. Isso Ela sofreu, quando
experi-mentou a agonia de Jesus; quando experimentou a morte
de Jesus, ao pé da Cruz. Foi tão forte, foi
tão intensa a participação de Nossa Senhora
naquele momento, que Ela experimentou, como se estivesse morrendo,
como se o universo todo estivesse desaparecendo e Ela estivesse
sendo aniquilada. Mas a sua própria morte, a sua morte
corpotal, a morte biológica, Nossa Senhora não
experi-mentou. Ela foi levada ao céu, como diz o documento
que proclamou o dogma da Assunção. Ela foi levada
ao céu, no fim da sua vida terrena. E o fim da vida
terrena não significa exatamente a morte. Significa
outra forma de vida.
Nós mal imaginamos o que Nossa
Senhora deve ter passado desde que Jesus morreu. Ela, que
era capaz de partilhar qualquer emoção, qualquer
dor profunda, qualquer tribulação, foi capaz
de partilhar profundamente a agonia dEle. Ela não precisava
experimentar a própria morte, para saber o que era
morrer. Todas as mães deveriam saber disso. Deveriam,
mas não sabem. Po mais que as mães amem os seus
filhos, sempre resta nelas um fundo egoísmo, um fundo
de egocentrismo, que não as deixa confundir-se total
e plenamente |
|
a
identidade de Jesus. Era capaz de viver inteiramente a identidade
humana dEle. Era capaz de sair de si totalmente, para entrar
na identidade dEle. E isso a tornou plenamente capaz de morrer
a morte dEle.
Hoje, quando nós comemo-ramos
a Assunção de Nossa Senhora, na verdade nós
estamos comemorando a consagração da sua ressurreição.
Nós estamos, na verdade, comemorando a consagração
da sua passagem do tempo à eternidade, de uma forma
para outra forma de viver.
Que Nossa Senhora da Assunção,
na pleniture da sua Ressurreição, nos ensine
a viver de forma mais forte, mais intensa, mais plena, a capacidade
da partilha, porque é somente partilhando que nós
poderemos vencer a morte, superar as transições
difíceis das quais a morte é o símbolo
derradeiro. Só aprendendo a partilhar completamente
é que nós aprendemos a fazer estas passagens.
A glória do Assunção, culminou, consagrou,
coroou aquele momento do primeiro encontro de Maria com seu
Filho ressuscitado. Que Nossa Senhora assunta aos céus,
coloque em nossos corações toda a esperança,
toda a bondade, e todo o desejo de partilha, todo o desejo
de viver, mas de viver não de nossa forma menor, pequena,
resumida, mas uma forma grande, ampla, generosa e intensa
de viver.
Que a beleza da Virgem da Ressurreição
nos encante, nos deslumbre e nos arraste." |